sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Final de ano letivo
sábado, 26 de setembro de 2009
Qualidade da educação em questão
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Reflexão de um professor
Artigo
*Raimundo Paulino da Silva
Compreender a Educação no Brasil, hoje, requer conhecimentos dos diversos pensamentos filosóficos e educacionais pelo qual passou a educação nestes últimos séculos, visto que estes pensamentos influenciaram e perpassam por todas as mudanças educacionais, sejam elas, locais, nacional e mundial.
Moacir Gadotti na sua obra História das idéias pedagógicas faz uma análise acerca das teorias mundiais que direta ou indiretamente influenciaram esses pensamentos, evidenciando também as contribuições destes teóricos para a formação da Educação no Brasil, destacando ainda, a época contemporânea e o pensamento pedagógico brasileiro.
O pensamento pedagógico brasileiro veio deslanchar no final do século XIX, com o iluminismo, trazido por alguns intelectuais europeus. Esse pensamento se auto-afirmou no século XX, mais precisamente na década de 20 com a implementação da primeira reforma educacional como enfatiza o referido autor.
Gadotti afirma que esse pensamento ficou muito definido em duas tendências, ainda bastante difundida nas escolas brasileiras: a tendência liberal e a progressista.
A liberal que defende a liberdade de ensino, de pensamento e de pesquisa e a progressista que defende a formação atuante nas mudanças sociais.
No entanto é pertinente ressaltar que embora tenhamos absorvido as influências dessas tendências e das diversas preocupações, sejam elas, pedagógicas, filosóficas ou sociológicas, temos um sistema educacional ainda muito arraigado do pensamento pedagógico tradicional, na qual, uma das principais características reside no papel do professor que continua sendo detentor do saber, característica que foi herdada da nossa educação jesuítica.
Discutir o papel do professor no contexto atual exige que façamos uma reflexão a partir da sua formação docente. Paulo Freire nos instiga a refletir sobre a ética na prática educativa, bem como o aprender a prender, uma vez quando estamos ensinando, há uma reciprocidade ensinarmos e sermos ensinados. É o aprender fazendo, é o refletir na práxis.
Cabe lembrar, que essa reflexão sobre a prática docente deve levar em conta diversos fatores: o contexto histórico, social e cultural; a formação inicial, a instituição formadora bem como o programa de ensino.
Com a implantação da LDB (lei 9394/96) que determina um prazo de dez anos para os professores serem graduados, para que possam continuar trabalhando na educação básica (ensino fundamental especificamente), houve um aumento significativo de faculdades particulares que estão a todo preço “vendendo” pacotes promocionais de curso de formação docente. Ora, questionamos: que tipos de profissionais estão sendo formados? De que forma esses profissionais estão contribuindo para a melhoria da educação? Se eu não tiver uma boa formação como vou formar bem meu aluno?
São esses e tantos outros questionamentos que nos levam a refletir sobre a desvalorização do profissional da educação, será que a questão salarial não está relacionada com essa formação.
No que diz respeito à organização do ensino e do currículo é visível as contradições existentes, implementou-se reformas, muitas vezes para atender as perspectivas sociais, políticas e econômicas, e não preparam os sistemas educacionais para operacionalizá-los.
Em suma, a Educação no Brasil hoje passa por uma situação que merece, por parte de todos os envolvidos no contexto da sala de aula, sobretudo, professores e professoras, uma reflexão mais crítica sobre nossas práticas, pois só assim poderemos levar a educação de todos a um lugar melhor.
* Sociólogo, especialista em educação e professor
domingo, 11 de janeiro de 2009
Trajetórias de um professor... Vivências e desafios
A experiência docente vivenciada nessa trajetória profissional implica em um aprendizado muito valioso e neste trabalho é o principal objetivo. Nessa vertente enfatizamos alguns relatos de experiência em sala de aula.
Na condição de docente de história em uma escola pública de ensino fundamental, relatamos a estratégia de uma aula cujo tema representava a leitura por parte dos alunos de dois quadros expostos na lousa. A aula transcorreu de forma satisfatória e se tornou enfoque central, sobretudo no seu objetivo o qual que se referia ao significado dos quadros, ou seja, o que representava para os alunos da 8ª série as duas imagens ali expostas.
A escola na qual estamos nos referindo atende a uma demanda de aproximadamente 900 alunos, distribuídos nos três turnos: matutino, vespertino e noturno, sendo que no primeiro funcionam as quatro primeiras séries iniciais, no segundo as turmas de 5ª a 8ª séries e à noite funciona a EJA – Educação de Jovens e Adultos. O nome da escola é uma homenagem ao escritor de renome nacional no campo das letras Alceu Amoroso Lima, o que para os funcionários é um orgulho, muito embora alguns deles não saibam que foi o ilustre escritor.
O espaço físico é composto da seguinte forma: uma sala para direção, uma para a secretaria e uma para os professores. As salas de aula se resumem em 11, existindo ainda mais três onde funciona uma para sala de vídeo, uma para guarda-livros didáticos e uma terceira para reuniões.
Quanto aos recursos humanos, especialmente o corpo docente, ressalta-se que gira em torno de 22 professores. A maioria deles é efetiva, ou seja, tem vínculo empregatício estável, enquanto que, 10 são professores substitutos, uma vez que foi realizado um concurso e grande parte dos mesmos ainda não foram convocados. E quanto à formação do quadro docente há uma boa variação. No geral, só existe uma professora que só tem o nível médio, inclusive concluído no ano passado. A maioria possui o magistério, curso normal de nível médio. Formados em pedagogia do nível superior são 10, geografia um e história um e um em letras. Quanto à pós-graduação somente duas professoras possuem, ambas em psicopedagogia. Vale lembrar que os professores com formação em história, geografia e em letras possuem licenciatura plena. Vale pontuar ainda algumas observações feitas ao longo desses dois anos que estamos na escola. Quase todos os professores praticam metodologias ultraconservadoras, totalmente “bancárias” como já dizia Paulo Freire. A exceção, modéstia à parte, fica por nossa conta cuja prática docente está mais voltada para o diálogo, objetivando centralizar a relação ensino-aprendizagem como o foco do trabalho pedagógico, muito embora encontrar resistências por parte do alunado – este já incorporou o ensino tradicional (em especial a utilização do questionário – aplicação deste com suas respectivas respostas com o objetivo de decora-las e responde-las na prova) como sucesso para aprendizagem.
Na condição de docente de história nessa escola, relatamos a estratégia de uma aula cujo tema representava a leitura por parte dos alunos de dois quadros expostos na lousa. Para tal fazer pedagógico, foi necessário mostrar a importância da leitura de imagens no meio educacional. O uso pedagógico de imagens se revela, notadamente, em um importante meio educacional nas nossas escolas. Dentre as opções nessa área, representadas como suporte pedagógico, optamos pelo o uso das artes na sala de aula, uma vez que a sua relevância se encaixa em qualquer disciplina e especial no ensino da história, disciplina que lecionamos. Segundo Martins (2003) “a arte exerce, como em outros tempos sociais, papel fundamental. Em busca de se integrar ao universo tanto exterior quanto interior, o ser humano busca representar a realidade e expressá-la através da arte”.
Tomando como princípio o ensino de história, no ensino fundamental, quando das explicitações das artes renascentistas, não podemos perder de vista esta oportunidade de aproveitarmos o momento para uma discussão mais apurada no tocante à importância das artes para a educação bem côo para o ser humano de modo geral.
Em uma das aulas planejadas, segundo ZABALA (1988) “os objetivos da aula devem estar sempre muito bem claros e especificados”. Sobre o período renascentista, levamos para a sala de aula (8ª série ou 9º ano atual) dois quadros – obra de uma autora desconhecida – cujos temas eram: um deles retratava uma paisagem de seca, muitos galhos de árvores em pedaços e um segundo quadro, o contrário, um rio abundante de águas e muito verde com plantas e frutos a vontade. Esse momento, no que concerne ao fazer docente, ficou marcado positivamente em nossa memória. Então, pedimos aos alunos que fizessem uma leitura dos quadros ali expostos. Antes havíamos mostrado um pouco da história da arte e da sua importância. No entanto, os alunos se manifestaram quanto ao que pedíamos. Alguns queriam logo fazer os comentários. Mas, o objetivo da aula conforme foi planejada, não era simplesmente comentar oralmente. Em primeiro lugar, a produção de um texto era o ponto de partida para que os alunos pensassem e colocassem no papel as impressões que fariam da leitura dos quadros. O segundo ponto era que após a produção escrita fizessem a representação oral, explicando o seu entendimento sobre o que acabavam de vislumbrar.
Terminada as apresentações, a turma era composta aproximadamente de trinta alunos, nem todos apresentaram conforme o esperado, mas consideramos dentro da normalidade, uma vez que esse tipo de aula não acontece com freqüência, mesmo sabendo que deveria ser.
Fazendo uma análise sobre o resultado da aula ora realizada, apesar de alguns não terem demonstrado bastante empenho, destacamos trabalhos que ficaram acima da média. Dentre os textos produzidos, um se destacou pela sua perspicácia precoce – em se tratando de uma turma de último ano do ensino fundamental da rede oficial. A aluna em apreço analisou os quadros da seguinte forma: o primeiro quadro, que retratava uma situação de seca, de fome, ela leu fazendo uma referência à obra de Graciliano Ramos ‘vidas secas’ cuja narrativa discorre sobre uma família de retirantes nordestinos que partem em busca de dias melhores. O segundo quadro, a aluna referenciou ao período de abundância no Egito Antigo as margens do rio Nilo. Indagamos sobre como ela entendeu, tão rapidamente as mensagens que os quadros passavam - as artes plásticas - ou seja, pode se fazer várias leituras diferentes de um mesmo quadro – ela respondeu que quando fitou os mesmos as imagens só refletiam esses dois momentos já citados. Em síntese, o objetivo da aula foi atingido e esperamos que o uso das artes na sala de aula seja uma alternativa nem só nas aulas de artes e também nas de história.
Ainda em se tratando de prática pedagógica, no momento atual em que em nossas escolas o espectro do ensino se circunscreve em torno da relação professor-aluno, não se pode esquecer o que acontece de fato no interior das salas de aula no tocante ao objetivo principal da educação escolarizada que é a aprendizagem. Buscando um embasamento teórico para explicar o que acontece com o alunado de hoje especificamente o da rede oficial de ensino onde exerço a função docente não será tarefa fácil apontar caminhos tão plausíveis. Fazendo uma ponte entre uma das práticas pedagógicas com as teorias cognitivas da aprendizagem, segundo (LAKONE, 2003; 27), nos aproximamos mais da teoria vygotskyana.
Citamos por exemplo mais uma das atividades que aplicamos em nosso dia-dia escolar. Conforme já assinalamos que a disciplina que trabalhamos é a história vale pontuar o que os alunos dizem dos outros professores. A pergunta mais recorrente é: por que professor, o senhor não coloca as respostas no quadro? Professor A e B coloca. E o questionário para estudar para a prova, não vai sair não? Essas indagações são uma constante na escola em pauta. Respondemos sempre que o nosso intuito é a aprendizagem e para que ela ocorra é necessário se fazer aulas que estimulem o raciocínio dos alunos, fazer com eles pensem – o que por sinal não é tarefa fácil. Usando as palavras do educador Aquino (2002, p.53) “o que nas outras profissões é desafio, na educação é dificuldade, empecilho, obstáculo”. Essa percepção nos faz imaginar sobre a profissão docente nos dias atuais. Já imaginamos se o paciente é o empecilho do médico; se leitor é o obstáculo do escritor: é como diz o autor citado “se o aluno é a dificuldade do professor, o que será fazer pedagógico” idem.
Todas essa observações são bastante pertinentes para a nossa prática docente. Fazendo um paralelo entre a prática discutida e o embasamento teórico, chegamos à conclusão de que a educação escolar se desdobra mesmo é no contexto da sala de aula, e cabe a nós, docentes, criarmos estratégias que superem todos os obstáculos e até as perspectivas mais otimistas. Assim concluímos a trajetória de um docente que procura fazer com que haja aprendizagem no contexto da sala de aula e também se preocupa com a didática que se deve utilizar para um bom aprendizado.
Espera-se ainda que a educação, especialmente na escola pública desse país, com toda a defasagem que se conhece possa paulatinamente atingir resultados bem mais promissores e fiquemos entre os melhores dos países em desenvolvimento.
Políticas públicas de saúde
As políticas públicas voltadas para a saúde nos últimos tempos têm sido de grande importância para a população de todo o país, mesmo sabendo-se que a sua implementação não tenha sido aplicada de forma eqüitativa e satisfatória.
Historicamente, as políticas públicas e especialmente no Brasil vêm se caracterizando de forma subordinada aos interesses econômicos e políticos, sendo implementadas através de práticas assistencialistas e clientelistas, refletindo relações que não incorporam o reconhecimento dos direitos sociais.
Constata-se, portanto, a existência de um padrão de relações que fragmenta e desorganiza a classe subalterna ao apresentar como favor os direitos do cidadão. Percebe-se ainda o crescimento da dependência de segmentos cada vez maiores da população, no que concerne à intervenção estatal, por não dispor de meios para satisfação de suas necessidades cotidianas.
As políticas sociais, embora concebidas como ações que buscam diminuir as desigualdades entre indivíduos, contribuem na prática, para acentuar as desigualdades expressa numa sociedade heterogênea com situação de pobreza. De espoliação, de necessidades básicas não satisfeitas, entre outras, convivendo com uma parcela da população que usufrui do poder econômico, político e social.
Atualmente, as políticas sociais brasileiras conservam em sua concretização o caráter fragmentário, setorial e emergencial, legitimando os governos que buscam apoio nas bases sociais para manter-se no poder, atendendo algumas das reivindicações da sociedade visando interesses contraditórios entre as classes sociais, assim, permitindo o acesso discriminatório a recursos e serviços sociais. Processo este que denota o caráter excedente das políticas sociais públicas que se concretizam de forma casuística, inoperante, fracionada e sem regras estáveis ou reconhecimentos de direitos.
No Brasil, consolida-se atualmente um sistema político e econômico centrado num mundo globalizado, onde a intervenção estatal torna-se limitada com diminuição de sua ação reguladora, começando a suceder-se à retirada paulatina das coberturas sociais públicas, decorrendo-se cortes e conseqüentemente reflexos no usufruto dos direitos sociais, o que tem implicado na desqualificação/minimização do Estado, refletindo-se na privatização de empresas estatais, fortalecendo a concretização e abrangência da ideologia neoliberal, predispondo à negação de direitos sociais e transferindo para a sociedade civil a responsabilidade que antes era do Estado.
Verifica-se, dentro deste contexto neoliberal, que as políticas sociais são alteradas em sua direção e funcionalidade. O estado reduz sua capacidade de financiamento das políticas sociais e serviços assistenciais e a função social e assistencial das políticas têm sido alterada, no que diz respeito à qualidade, quantidade e variedade dessas políticas, sendo oferecidas especialmente à população carente, através de critérios de seletividade.
No que concerne as Políticas de Saúde no Brasil, mesmo após a Constituição e 1988, que institui Sistema Único de saúde – SUS, o perfil da organização de programas e serviços de saúde ainda apresenta-se caracterizado pela centralização, pelo governo federal, de diretrizes e prioridade para o setor de saúde destinadas às esferas estadual e municipal.
Por outro lado, a acentuada privatização define o investimento no setor de saúde com recursos do orçamento da união produzidos pelo setor privado, visualizadas em nossa realidade principalmente através do fortalecimento dos planos de saúde.
Nesse sentido, constata-se que o conjunto de ações destinadas aos Estados e municípios distancia-se das reais condições de saúde vivenciadas pela população brasileira. Como conseqüência, a população usuária recebe uma prestação de serviços cuja lógica de acesso não corresponde à relação: disponibilidade tecnológica/necessidade de atendimento, mas a exigência de lucratividade do setor privado.
Toda essa lógica incide diretamente em todos os segmentos da sociedade que necessitam dos serviços públicos como: crianças, adolescentes, deficientes e, conseqüentemente, os idosos, que se encontram cada vez mais numa situação de desamparo, perda de status, de segregação social, de marginalidade.
Diante de toda essa gama de elementos que permeiam toda a estrutura das políticas públicas em nosso país e especificamente as de saúde, esperamos que num futuro próximo possamos ter uma melhora significativa nessa área e que as classes populares tenham o acesso devido a esses bens materiais tão preciosos para o bem estar de toda coletividade.
PS. Este texto foi escrito no ano de 2007
Momentos de caos em nossa maior metrópole
Vivemos atualmente um momento nunca visto em nossa história. A onda de violência que nos assola é de tamanha estupefação. Diante de todas as notícias veiculadas pela imprensa, seja ela televisada, impressa ou via internet, mais uma vez apavora até aqueles considerados indiferentes ao mundo que os cerca. Ficamos até temerosos no que tange as mais absurdas ondas de corrupção no entorno político da nossa mais alta corte em relação ao crime organizado que está tomando conta da região sudeste e em especial o estado de São Paulo. Não sabemos ao certo a quantidade de mortos, uma vez que nem a imprensa nem o comando policial paulista sabem quantificar o lamentável número exato de mortes.
Em meio a tudo isto que vem acontecendo, de forma bárbara e chocante não pode esquecer que o momento é de muita tensão e apreensão por parte de todos. Uma observação não pode passar incólume: por que o governo paulista não quer aceitar o apoio da polícia federal? Será que neste momento tão cruciante vivenciado por todos nós pode se pensar em política partidária? E ainda por cima o mesmo governante ainda tem o descalabro de falar em cadeia nacional que a situação está sob controle. É de extrema sensibilidade o que está ocorrendo no tecido social da maior cidade da América do Sul. Por tanto, não se pode de maneira alguma, sobretudo no aspecto da solidariedade negar qualquer forma de ajuda seja ela vinda de qualquer parte do planeta desde que seja exclusivamente voltada para a contenção desta barbárie. É lamentável ainda usarmos esta tão deprimente palavra em pleno século 21 e ainda assim vivermos em um mundo totalmente civilizado.
Assim, esperamos que a situação vivenciada tenha uma solução o mais breve possível, se não, podemos correr o risco de uma iminente guerra civil que não é o que desejamos para todos nós. E ainda por cima de todas essas implicações que têm comovido a nação, o mais importante é que ‘solidariedade’ seja uma palavra uníssona entre todos aqueles sensíveis a mais este momento crucial de nossa história de pouco mais de 500 anos.
PS. Este texto foi escrito em 2006 na época em que aconteceu a onda de violência em São Paulo